Principal certificação para investigadores de fraudes do mundo.
Como coordenador geral da ACFE Brasil, recebi ao longo dos meses dezenas de e-mails, onde posso resumir: “Como chegar até a certificação?”.
Nesse cenário, hoje, ao sentar e estruturar qual conteúdo poderia gerar e agregar valor à minha rede, pensei: “Porque não levar esse conhecimento a tantos profissionais que tenho contato no Linkedin?”.
O propósito aqui não é ser exaustivo, mas trazer uma orientação inicial e estimular aos profissionais na conquistas dessa importante etapa da carreira.
O primeiro ponto que considero relevante é deixar claro que o Diretório Brasileiro da ACFE é uma ação pro bono, onde seus integrantes não têm qualquer remuneração. Além disso, somos um grupo democrático e por isso abraçamos todos profissionais interessados no tema de “prevenção a fraude e corrupção” (e correlatos) e não somente os profissionais oficialmente associados e/ou certificados. No Brasil, temos majoritariamente 3 formas de nos conectar com os profissionais:
Aos interessados, podem se cadastrar em nossa página e fazer parte do grupo sem qualquer custo – basta me procurar.
Porém, importante ressaltar que para se certificar você precisa, primeiramente, ser um membro da ACFE Internacional (www.acfe.com) – essa associação é anual e tem um custo (atual) de USD$ 100 (há outros valores especiais para profissionais de educação e estudantes).
Quanto à certificação (algumas diretrizes e dicas):
O exame / prova é realizado online e é dividido em 4 módulos:
Cada prova possui 100 perguntas e você possui 1min 25s para responder cada pergunta, levando, portanto, a prova de cada módulo a duração máxima de 2h5min.
Apenas nos Estados Unidos e na Inglaterra é possível realizar a prova presencialmente – aqui, a grande vantagem é que você tem 2h5min para realizar a prova inteira, sem limitação de tempo por questão.
Uma vez iniciada a primeira prova, você deve ser aprovado nas outras 3 em um intervalo de 30 dias e para ser aprovado você precisa ter um acerto de 75% das questões. Após o envio de cada prova, você precisa enviar também o “CFE Exam Affidavit”, que nada mais é que uma declaração de terceiro informando que você não “colou” (“without assistance”).
Você sendo aprovado nas provas, a ACFE realiza alguns procedimentos internos e comunica sua certificação – esse tempo pode levar até 1 mês – e só depois disso você pode usar o “tão esperado” “CFE” junto a seu nome. Detalhe: Se você for reprovado, você saberá quantas questões errou para poder entender quanto de dedicação adicional você precisa, mas se for aprovado, você não saberá se acertou 75% ou 100% – isso porque para a ACFE não existe alguém “melhor” ou “pior” certificado – todos aprovados são reconhecidos de forma igualitária.
Essas informações acima resumidas podem ser facilmente encontradas no site da ACFE Internacional; porém, aqui vão algumas dicas que considero relevantes para o sucesso na obtenção da certificação.
Não estude pelo Book da ACFE (são mais de 2000 páginas – é insano!), esse book é um excelente fonte de consulta para o dia a dia de trabalho, mas não para se preparar para a certificação.
Desta forma, em minha (modesta) opinião o melhor custo benefício para obter a certificação é adquirir o curso on-line da ACFE Internacional. O curso exige de 40-60 horas de dedicação, mas afirmo: vale a pena! O custo hoje (maio/2020) do “2020 CFE Exam Prep Course™, International Edition” é de USD$796 para membros da ACFE – algo como R$ 4.700. Claro que é um custo relevante, mas particularmente vejo no mercado cursos que agregam muito menos valor (inclusive a seu CV) por um valor próximo e até superior a este.
Ao adquirir o curso, você comprará o curso de um determinado ano. Ou seja, se você comprar o curso hoje (maio/2020), você terá curso para a prova do ano de 2020 (que estará disponível até 2022), isso porque o manual da ACFE é dinâmico e atualizado anualmente – e por consequência a prova também. Por exemplo, atualmente, você já encontra questões conectadas a criptomoedas, que há 3/ 5 anos provavelmente não existiam.
No início do curso, você faz uma avaliação prévia (“pre-assessement”) com 100 perguntas (25 por módulo), onde o sistema irá indicar quais módulos você possui mais facilidade e recomendará por onde começar a estudar e por onde terminar – naturalmente é sugerido que você comece pelo modulo que você possui maior facilidade, deixando o que você possui maior dificuldade para o final, perto do início da sua data de prova. Da mesma forma, é recomendável que você inicie pela prova que tem maior dificuldade, que em teoria é o último módulo estudado – estando com as informações “mais frescas” em sua cabeça.
Cada módulo de estudo conterá aproximadamente 400 questões (totalizando 1.600) e o treinamento acontece no formato de perguntas e respostas. Ou seja, se você erra uma pergunta ele te apresenta a resposta certa e explica por que está certa e porque as demais estão erradas.
Se você cumprir todos os requisitos explicados no site (detalharei abaixo), você pode escolher uma de duas opções em caso de não aprovação:
a) Receber seu dinheiro de volta
b) Refazer a prova em que não tiver sido aprovado (salvo engano até 3 vezes cada prova).
Condições:
ATENÇÃO: Se você pedir sua chave de prova (“activation key”) antes de finalizar esses requisitos, você perde esses direitos, sendo necessário pagar USD$25.00 por cada nova realização (“retake”) de prova.
Outra dica é não estudar mais de um módulo por vez. Começou, vá até o final – e cumpra as exigências listadas acima.
Em resumo, tenha em mente:
Outras dicas:
Por fim, importante ressaltar que a ACFE Brasil (ainda) não é acreditada para fornecer o treinamento presencial de preparação para a prova – apesar de termos planos de sermos – e tão pouco é autorizado pela ACFE Internacional a tradução de qualquer material – é entendimento deles que um investigador de fraude precisa saber inglês.
Ah! Não esqueça de, ao longo de sua jornada, ler o código de ética profissional (“Code of Professional Ethics”) da ACFE – isso provavelmente lhe garantirá 2 ou 3 pontos na prova!
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Bruno Massard, CFE, CCEP-I, DSC
Formado em Administração e Pós Graduado em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV e é certificado pela ACFE, SCCE e EBANC. Bruno possui mais de 14 anos de experiência em empresas multinacionais, voltada majoritariamente para governança corporativa / ambiente de controles, auditoria interna (SoX), gestão de riscos e prevenção e investigação de fraudes. Bruno atuou nas maiores investigações do país, onde exerceu funções tanto de investigador como de especialista forense em processos de shadow investigation.